Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Carlos Fuentes

Carlos Fuentes, criador da expressão “território de La Mancha”, uma fórmula feliz que passou a exprimir a diversidade e a complexidade das vivências existenciais e culturais que unem a Península Ibérica e a América do Sul, acaba de receber em Toledo o Prémio D. Quixote. O que se segue é a minha homenagem ao escritor, ao homem, ao amigo.O primeiro livro de Carlos Fuentes que li foi “Aura”. Embora não tenha voltado a ele, guardei até hoje (mais de quarenta anos passaram) a impressão de haver penetrado num mundo diferente de tudo o que conhecera até então, uma atmosfera composta de objectividade realista e de misteriosa magia, em que estes contrários, afinal mais aparentes que efectivos, se fundiam para criar no espírito do leitor uma envolvência em todos os aspectos singular. Não foram muitos os casos em que o encontro de um livro tenha deixado na minha memória uma tão intensa e perene lembrança.Não era um tempo em que as literaturas americanas (às do Sul me refiro) gozassem de um especial favor do público ilustrado. Fascinados desde gerações pelas lumières francesas, hoje empalidecidas, observávamos com certa displicência (a fingida displicência da ignorância que sofre por ter de reconhecer-se como tal) o que se ia fazendo para baixo do rio Grande e que, para agravar a situação, embora pudesse viajar com relativo à vontade a Espanha, mal se detinha em Portugal. Havia lacunas, livros que simplesmente não apareciam nas livrarias, e também a confrangedora falta de uma crítica competente que nos ajudasse a encontrar, no pouco que ia sendo posto ao nosso alcance, o muito de excelente que aquelas literaturas, lutando em muitos casos com dificuldades semelhantes, iam tenazmente elaborando. No fundo, talvez houvesse uma outra explicação: os livros viajavam pouco, mas nós ainda viajávamos menos.A minha primeira viagem ao México foi para participar, em Morelia, num congresso sobre a crónica. Não tive então tempo para visitar livrarias, mas já começara a frequentar com assiduidade a obra de Carlos Fuentes através, por exemplo, da leitura de livros fundamentais, como foram os casos de “La región más transparente” e “La muerte de Artemio Cruz”. Tornou-se-me claro que estava ali um escritor de altíssima categoria artística e de uma incomum riqueza conceptual. Mais tarde, um outro romance extraordinário, “Terra nostra”, rasgou-me novas perspectivas, e daí em diante, sem que seja necessário referir aqui outros títulos (salvo “El espejo enterrado”, livro de fundo, indispensável a um conhecimento sensível e consciente da América do Sul, como sempre preferi chamar-lhe), reconheci-me, definitivamente, como devoto admirador do autor de “Gringo Viego”. Conhecia já o escritor, faltava-me conhecer o homem.Agora, uma confissão. Não sou pessoa facilmente intimidável, muito pelo contrário, mas os meus primeiros contactos com Carlos Fuentes, em todo o caso sempre cordiais, como era lógico esperar de duas pessoas bem educadas, não foram fáceis, não por culpa dele, mas por uma espécie de resistência minha a aceitar com naturalidade o que em Carlos Fuentes era naturalíssimo, isto é, a sua forma de vestir. Todos sabemos que Fuentes veste bem, com elegância e bom gosto, a camisa sem uma ruga, as calças de vinco perfeito, mas, por ignotas razões, eu pensava que um escritor, especialmente se pertencia àquela parte do mundo, não deveria vestir assim. Engano meu. Afinal, Carlos Fuentes tornou compatível a maior exigência crítica, o maior rigor ético, que são os seus, com uma gravata bem escolhida. Não é pequena cousa, creiam-me.

 

(14 de Outubro de 2008)


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Carlos Fuentes em Lanzarote

28 de agosto de 1997

Carlos Fuentes, o grande escritor mexicano, a quem admiro desde que, há muitos anos já, li esse livro fascinante que é Aura, passou ontem por Lanzarote. Veio com sua mulher, a jornalista Silvia Lemus, estiveram algumas horas (duas delas ocupadas por uma entrevista que dei a Silvia), e juntos visitámos a Fundação César Manrique. Ficou claro, logo desde o primeiro momento, que estávamos a colocar a primeira pedra de uma amizade que se consolidará (estou certo disso) na viagem que Pilar e eu faremos, no próximo ano, ao México. Registo aqui o recolhimento com que Carlos Fuentes leu o poema de Rafael Alberti dedicado a César Manrique, aquele que está na Fundação: Vuelvo a encontrar mi azul... No fim, Fuentes disse: «Poetas como Alberti e Neruda convertem em poesia tudo o que tocam.» Foi um dia grande para Lanzarote.

 

in Cadernos de Lanzarote, volume V

 



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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
O velho, o rapaz e o burro
«Os desencontros e turbulências das relações entre Portugal e Brasil resultam provavelmente de um equí- voco. Meteu-se-nos na cabeça que estamos obrigados a unir-nos por um amor mais que perfeito, por uma com- preensão exemplar, por uma ligação espiritual sem par no universo. E que se não puder ser assim, então não vale a pena. Oscilamos portanto entre o tudo e o nada, como se andássemos a incubar desde há séculos uma paixão tem- pestuosa (em todo o caso mais sofrida do lado de cá do que sentida do lado de lá), a qual, não tendo podido alcançar a consumação plena, passou a alimentar-se de pequenas anedotas, de pequenos despeitos, de pequenos rancores, sempre demonstrativos de que a culpa é deles. A história do velho, do rapaz e do burro parece ter sido escrita para mostrar como no dia a dia da relação de por- tugueses e brasileiros uns com os outros se armam con- flitos, se insinuam suspeitas de segundas intenções, se desenham conscientes ou inconscientes desdéns. Claro que o símile não é exato em todos os seus pontos. Se é certo que os portugueses não se oporiam demasiado a desempenhar o papel do velho (a isso aconselhariam os séculos de história de que tanto se gabam), se a persona- gem do moço assentaria como uma luva aos brasileiros (independentes, por assim dizer, desde anteontem), já é duvidoso haver alguém em qualquer das nossas duas margens atlânticas disposto a reconhecer-se no burro, mesmo sendo o que menos culpas tem na historieta. Que para ilustração das novas gerações brevemente se narra. «(O avô ia a pé e o neto no burro. Cruzaram-se com uma pessoa a quem pareceu o caso mal: que vergonha, o pobre velho à pata e o moço regalado de poleiro. Atento às bocas do mundo, o avô fez descer o rapaz e foi ocupar-lhe o lugar no lombo do jumento. Imediatamente protestou outro contra o atentado: o infeliz menino a pisar o pó dos caminhos enquanto o malandro do velho viajava repim- pado na albarda. Desceu então o avô e resolveu que conti- nuariam os dois a pé, deixando ir o burro sem carga. Mas não tardou que outro passante se risse da estupidez: aque- les tinham uma besta de carga e não se serviam dela. Perante isto, o velho tornou a sentar o neto no burro e montou atrás dele, mas logo surgiu outra pessoa a protes- tar contra a crueldade com que os desapiedados tratavam o animalzinho, obrigando-o a aguentar dupla carga. Então o velho disse: “Deixemos que falem estes e vamos nós como antes.” Fez subir o neto para o dorso do jumento, e, com a lição aprendida, seguiram os três o seu destino.) «Há muito desta história de velho, rapaz e burro nas relações luso-brasileiras. Não damos um passo sem que nos atropelem dificuldades, umas nascidas ali, outras vin- das de longe mas renovadas e melhoradas para a ocasião. Ainda as assinaturas não secaram em alguns tratados e acordos laboriosamente tecidos e já os patriotas encarta- dos de um lado e do outro começam a gritar que eles nos enganaram. Nunca se viu gente que tanto desconfie do parceiro a quem ao mesmo tempo vem chamando irmão e amigo. Por cima da mesa assiste-se ao florir contínuo duma retórica vã, bordada de artifícios e aparências, mas por baixo fervem as chacotas e as piadas insultantes. Põe-se milagrosamente de pé, tem-te não caias, uma CPLP, e imediatamente se começa a minar-lhe o chão para que se desmorone e afunde. Proclamamos reciprocidades de direitos e logo tratamos de fechar a porta a quem os rei- vindica. Imaginámos uma fraternidade que não existe de facto, fizemos dela um teto sob o qual nos abrigaríamos juntinhos, como irmãos ou primos carnais, e todos os dias vemos que o tal teto não tem colunas que duradouramente o sustentem, que quase tudo o que debaixo dele se diz e faz será para desmentir ou anular no dia seguinte. «Ponhamos então o amor de parte, deixemo-nos de irmandades postiças, comporte-se Portugal como se o Bra- sil fosse um outro qualquer país com que simplesmente mantemos boas relações. Faça o Brasil o mesmo em rela- ção a nós. Depois identifiquemos interesses comuns aos dois países, definamos claramente as opções, ponhamos os meios necessários, e cometido isto, trabalhemos juntos. Sem discursos. Quem sabe se o amor (um verdadeiro amor feito de respeito mútuo e de dignidade discreta) não virá depois? Já se tentou tudo, e não deu resultado. Ao menos o avô da história acabou por compreender.»

(artigo publicado na revista Visão e incluído nos Cadernos de Lanzarote, Diário V, 17 de setembro de 1997)



publicado por Fundação Saramago às 13:55
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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Golo na própria baliza

Vista à distância, a humanidade é uma coisa muito bonita, com uma larga e suculenta história, muita literatura, muita arte, filosofias e religiões em barda, para todos os apetites, ciência que é um regalo, desenvolvimento que não se sabe aonde vai parar, enfim, o Criador tem todas as razões para estar satisfeito e orgulhoso da imaginação de que a si mesmo se dotou. Qualquer observador imparcial reconheceria que nenhum deus de outra galáxia teria feito melhor. Porém, se a olharmos de perto, a humanidade (tu, ele, nós, vós, eles, eu) é, com perdão da grosseira palavra, uma merda. Sim, estou a pensar nos mortos do Ruanda, de Angola, da Bósnia, do Curdistão, do Sudão, do Brasil, de toda a parte, montanhas de mortos, mortos de fome, mortos de miséria, mortos fuzilados, degolados, queimados, estraçalhados, mortos, mortos, mortos. Quantos milhões de pessoas terão acabado assim neste maldito seculo que está prestes a acabar? (Digo maldito e foi nele que nasci e vivo...) Por favor, alguém que me faça estas contas, dêem-me um número que sirva para medir, só aproximadamente, bem o sei, a estupidez e a maldade humana. E, já que estão com a mão na calculadora, não se esqueçam de incluir na contagem um homem de 27 anos, de profissão jogador de futebol, chamado Andrés Escobar, colombiano, assassinado a tiro e a sangue-frio, na célebre cidade de Medellín, por ter metido um golo na sua própria baliza durante um jogo do campeonato do mundo... Sem dúvida, tinha razão o Álvaro de Campos: "Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer". Sem dúvida, mas não desta maneira.

(Cadernos de Lanzarote - Diário II, 3 de julho de 1994)



publicado por Fundação Saramago às 10:39
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
O factor Deus

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá "ver" cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes.

 

Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro.

 

Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras. Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova Iorque. Dois aviões comerciais norte-americanos, sequestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico, lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.

 

As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante de tortura, da agónica expectativa, da morte ignóbil. Em Nova Iorque tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mas limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda. O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefacção para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez "aqui estou" quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdómen desfeito, um tórax espalmado. Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietname cozido a napalm, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atómicas que arrasaram e calcinaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazis a vomitar cinzas, daqueles camiões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse.

 

De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta dos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas, sem excepção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como os outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar.

 

Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel. Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talibans, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactado entre a Religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.

 

E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gémeas de Nova Iorque, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela acção dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da História. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o "factor Deus", esse, está presente na vida como se efectivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o "factor Deus" o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra...) a bênção divina. E foi o "factor Deus" em que o deus islâmico se transformou que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres deuses sem culpa, foi o "factor Deus", esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.

 

Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento se não puder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do "factor Deus". Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.

 



publicado por Fundação Saramago às 14:36
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